Ayu|鮎

3.11.2018

 

 

Feriado de finados, o dia estava morto (sacaram a piada?). Pronto para encerrar o expediente e vem aquela dúvida de sempre: Onde vou jantar? Ou janto em casa?

 

Dentre várias opções que gosto de ir, selecionei o YORIMICHI, sempre me atendem bem e gosto muito da comida de lá. O que um feriado não faz. Da Adega de Sake em Moema até o Paraíso, cheguei em 5 minutos.

 

Estacionando na frente da casa (coisa impossível de acontecer), o izakaya estava bem calmo. Eu para variar sem reserva, aliás tenho um ódio de telefonar para fazer reserva. Quem anda comigo sabe que eu peço para os outros reservarem. Folgado pra cacete.

 

Estava bem vazia. Escolhi onde sentar e fiquei no canto, perto do paredão das bebidas. É legal sentar lá, pois fico mais perto do povo da grelha. Daí atualizando o papo com o pessoal, a Herica Terumi me fala: Adegão, tem AYU 鮎.

 

Eu: Como assim? 

 

Essa foi a minha reação, pois é um peixe desgraçado de restrito no Japão. A pesca é liberada no Japão durante os meses de junho à agosto em quase todo o território japonês. O restante do ano é proibido por lei. E em julho, você pode conseguir pescar os Ayu com as ovas. Já em Kyushu no sul do país, a pesca é liberada nos mês de outubro e novembro. Só.

 

Assim como o Salmão, o Ayu nasce e reproduz nem água doce, vivendo o resto do 1 ano de vida no mar. Uma única reprodução e encerra-se a vida do peixe, que pode atingir de 5cm à 10cm. O macho pode viver 2 anos no máximo e seu tamanho, pode chegar a 25cm.

 

O Ayu se alimenta de planctons, musgos grudados nas rochas e pequenos camarões. Em japonês o peixe também é chamado de KÔUGYO 香魚, por ele ser um dos poucos peixes de aroma agradável enquanto vivo. Acredite, ele lembra o cheiro de uma melancia fresca.

 

E lembro no CIRCUITO DO SAKE 2017, quando estávamos no Mercado Tsukiji, o Diogo Bucci me faz o seguinte pedido: Adegão, me ajuda a achar o Shiokara de Ovas de Ayu.

 

Olhei para ele e: Você tá de sacanagem, né? Puta peixe difícil de achar, ainda quer a conserva de ovas? 

 

E fomos procurar nas estreitas ruas do mercado debaixo da chuva. Muitos comerciantes nem sabiam da existência dessa conserva. Depois uma única senhora soube nos explicar e que esse produtos se chama URUKA. Só que não tinha e estava esperando ficar pronta. Bem feito Diogo. Enfim.

 

 

Daí que o pessoal do YORIMICHI parece que comprou uma 20 unidades que vieram do Japão. E desde o preparo do SHIOYAKI 塩焼き, tempero, o assado, tudo foi feito com maestria. O modo de colocar o espeto, fazendo o peixe ficar curvado é uma técnica de Ryoutei, restaurante de Alta Gastronomia. Deixa nesse estado para dar a impressão de que o peixe esteja vivo e nadando.

 

 

E o sabor? 

 

Esse será um problemão, para os que vão provar pela primeira vez. Já que o peixe vem inteiro, muitos brasileiros podem não gostar. Espinhos e ossos estão por toda a parte. Barrigada é amarga (o que adoro). Hiper salgado, pois é um Shioyaki. Recomenda-se um tigela de Gohan ou um Sake Junmai de Secura moderada. 

 

Agora, para quem conhece, é como achar matsutake na floresta ou uma trufa caída no chão. Me deliciei e comi na mão mesmo. Dane-se, como do jeito que quiser. Um sabor e textura da carne inigualável!

 

Que noite encantador!!

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