Partida do Chef Shin Koike

16.3.2019

 

 

Chef Shinya Koike, um dos três Itamaes - alicerces da gastronomia japonesa no Brasil, está de mudança. Chegou em São Paulo. Foi para o Rio de Janeiro. E agora, vai para onde, então? Para a capital de Portugal.

 

Quando começou a trilhar sua jornada na culinária japonesa caminhando ao lado de seu pai no mercado de Tsukiji, em Tóquio, atrás de peixes frescos, Koike percebeu que a gastronomia não era somente sushi e ingredientes crus. Mas, sim, algo muito amplo, um universo de possibilidades. Como se rompesse uma grossa casca de ovo, foi além e trabalhou  em um restaurante francês, no charmoso bairro de Guinza.

 

Passando por todos os setores de um restaurante (nem imagino Shin Koike trabalhando no salão), veio para São Paulo em 1990 e começou a escrever o rumo da gastronomia nipo-brasileira. Começou com o Aoi, Rangetsu of Tokyo em Pinheiros, Hanadoki, Tamayura, passando pelo comando do A1 e Aizomê, Sakagura A1 e, depois mais dois empreendimentos no Rio de Janeiro, acumulou uma pesada e preciosa experiência, deixando um legado em várias partes dessas duas cidades.

 

Essa troca de experiência foi registrada no livro A Cor do Sabor - A Culinária afetiva de Shin Koike, por Jo Takahashi e pela Editora Melhoramentos. A publicação foi destaque no prêmio Gourmand Awards de 2012 e, dois anos depois, recebeu o prêmio pelo Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão, pela Difusão da Culinária Japonesa no Exterior, por divulgar a cultura da gastronomia japonesa no Brasil.

 

No ano seguinte, Koike foi outorgado pelo mesmo Ministério, como Embaixador da Culinária Japonesa e Embaixador da Boa Vontade da Culinária Japonesa.

 

O elo que se deu entre ele e Lisboa foi a longa e respeitosa amizade entre o chef japonês com Lucas Azevedo, do Restaurante Bonsai, localizado no bairro Alto, e que ostenta o título de restaurante japonês mais antigo da cidade, com 32 anos de existência. Nascido em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, Azevedo foi ao Japão aprimorar mais ainda seus dotes culinários e encontrou Koike em uma das viagens que ele fazia por lá.

 

Desde então a amizade entre os dois foi se fortalecendo e, quando a casa portuguesa completou 30 anos de atividades, Koike foi convidado para realizar o evento de aniversário. Saiu de lá apaixonado pelos ingredientes, pela tradição local, pelas pessoas e pelo clima.

 

Aos 61 anos, Shin Koike irá assumir o comando e o lugar de Lucas Azevedo que fará uma incursão ao Japão para aperfeiçoar ainda mais as técnicas japonesas. Koike será o titular da segunda casa que será inaugurada com estilo mais contemporâneo, mantendo a sólida base da tradição Kaiseki.

 

Em particular, tenho um apreço e gratidão por Koike. Há anos, quando ele abriu o meu concorrente na Liberdade, fiquei furioso e escrevi besteiras nas redes sociais. Foi quando ele me telefonou e disse: “Coisa ruim, quebra sozinho. Não interfira”. Além de sua amizade e ensinamentos, há 2 anos que ele me chama para a circuito de palestras da MAFF (Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão), como um dos palestrantes. No ano de 2018 então, a honra foi ainda maior: dividir o palco com quatro embaixadores. Não há dinheiro ou tesouro que compre esta oportunidade.

 

Só tenho a agradecer ao chef Shinya Koike. Muito obrigado pelo que fez em nosso país, ficamos na torcida para que muitos possam apreciar os seus pratos em Lisboa.

 

Um grande ganho para Portugal, um tremenda despedida para o Brasil.

 

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